
em sala: cinema e deficiência
Disciplina Faculdade de Educação UnB
No segundo semestre de 2023, as professoras Cláudia Linhares Sanz e Fátima Vidal, em parceria com Lucas Guedes (estagiário docente de doutorado) e Mariana Barros (monitora), ministraram a unidade curricular Cinema e Pessoa com Deficiência, na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB).
A disciplina foi ofertada com o intuito de somar à formação inicial de futuras pedagogas, que trabalharão diretamente com pessoas com e sem deficiência nos mais diversos espaços sociais. A partir da leitura de textos, análise de filmes, diálogos com autores que pensam o cinema e a deficiência e entrevistas com cineastas e pessoas com deficiência, articularam-se os campos do cinema e da deficiência, proporcionando às professoras e às estudantes um encontro crítico-reflexivo e sensível sobre os conceitos de deficiência, cinema e as relações que se estabelecem entre eles. Acesse o Plano de Ensino da disciplina.
Essa ação está diretamente vinculada aos objetivos do Projeto (In)visibilidades da Pessoa com Deficiência no Regime Contemporâneo de Imagens, especialmente na produção de análises fílmicas, produção de dados - a disciplina ocorreu em paralelo ao processo metodológico de seleção de filmes nas plataformas de streaming - e ampliação do impacto do projeto, que chega na formação de profissionais (pedagogas e professoras em formação), fundamental na mudança para uma sociedade anticapacitista.
Textos autorais
Entre as produções ligadas ao Curso de Extensão e à disciplina de Cinema e Deficiência (UnB), destacam-se os textos de autoria das alunas a partir da percepção que tiveram dos filmes e dos textos estudados e compartilhados aqui. Cada um desses textos procurou articular filmes e textos, sem hierarquizá-los. É um recorte no tempo fílmico, na escrita e na reflexão que nos acompanharam ao longo desse processo coletivo de transformação.
Filmes, textos e entrevistas
Nossa unidade curricular (curso/disciplina) foi desenvolvida a partir do entrelaçamento de filmes que tematizam a questão da deficiência, textos e entrevistas com pessoas com deficiência, cineastas e estudiosos do tema. A cada aula, discutíamos um filme sob a ótica de um texto e vice-versa, pensando o texto sob o prisma do filme. Assim, pudemos ir ampliando nossas percepções teóricas e imagéticas a partir de três eixos: primeiro conversando sobre a própria concepção da deficiência e da pessoa com deficiência; depois, mergulhando no debate sobre a potência do cinema; por último, discutindo como pensar com o cinema a visibilidade da pessoa com deficiência. Mais que uma disciplina, um espaço interdisciplinar que conectou professoras, estudantes de graduação e pós-graduação, armando intersecção entre uma prática de ensino, vivida em uma ação de extensão, e potencializada pelo processo investigativo da pesquisa.

Faculdade de Educação, Universidade de Brasília
Disciplina PPGCom UnB
Título: Cinema, educação e (in)visibilidades das pessoas com deficiência
Ementa: O curso propõe reflexões acerca das relações entre cinema, educação e (in)visibilidade das pessoas com deficiência, uma investigação decorrente dos vínculos entre imagem, tecnologias de comunicação e processos históricos de subjetivação. Visa analisar o papel do cinema na percepção dominante acerca das pessoas com deficiência. A partir de aulas expositivo-teóricas dialogadas, exibição de filmes, estudo de textos e atividades coletivas de seminários, o curso pretende avançar nos debates a respeito do entrelaçamento histórico entre o cinema e as formas de ver a deficiência. Trata-se de pensar como as imagens da deficiência no cinema refletem e intensificam lógicas de exclusão e estigmatização por meio da fixação de lugares específicos em histórias de terror, vilania, superação e coragem. Investigar em especial as particularidades no cinema brasileiro e suas relações com o campo da educação, práticas de ensino e atividades pedagógicas.
Disciplina PPGCom UFPE
Título: Reconhecimento Social, (In)visibilidades e biopoder: reflexões acerca da imagem da pessoa com deficiência na publicidade contemporânea
Ementa: O curso propõe reflexões acerca das relações entre publicidade, educação e (in)visibilidade das pessoas com deficiência, uma investigação decorrente dos vínculos entre imagem, tecnologias de comunicação e processos históricos de subjetivação. Visa analisar o papel das imagens na percepção dominante acerca das pessoas com deficiência. A partir de aulas expositivo-teóricas dialogadas, apresentação e análise de campanhas, estudo de textos e atividades coletivas de seminários, o curso pretende avançar nos debates a respeito do entrelaçamento entre reconhecimento social e visibilidade na economia de imagens do contemporâneo. Trata-se de pensar como as imagens da pessoa com deficiência – em especial as mercadológicas – podem refletir e intensificar lógicas de exclusão e estigmatização por meio da fixação de lugares demarcados e incorporações às lógicas do capitalismo em seu contexto neoliberal. Partindo de conceitos como de biopoder e norma, regime de visibilidade, cultura visual, imagem-mercadoria e as estruturas híbridas da publicidade contemporânea, a disciplina procura estabelecer as bases teóricas para o desenvolvimento de práticas midiáticas de ensino e atividades pedagógicas acerca dos temas voltados para a invisibilidade e o reconhecimento social no capitalismo tardio.


Oficina com estudantes do Ensino Médio de Pernambuco
Título: O que você vê: uma conversa sobre (in)visibilidades.
A elaboração e implementação da oficina, desenvolvidas de forma não linear ou sequencial, integrou o projeto de pós-doutoramento da pesquisadora Mirella Pessoa, que busca refletir sobre as imagens da comunicação hegemônica no ambiente escolar.
Realizada nas turmas do terceiro ano da EREFEM Senador Novaes Filho, localizada no bairro da Várzea, em Recife/PE.
O objetivo das atividades de ensino é deslocar tais imagens de seus circuitos habituais de circulação e produção, pensando as dinâmicas que as envolvem e o modo como produzem sentidos, criam formas de ver e perceber as pessoas com deficiência. Todas as atividades se orientaram pelo mesmo movimento do pensamento promovido neste projeto: o olhar constelar e a montagem. Pensar a partir do olhar constelar significa considerar os objetos como uma montagem de elementos distintos, evidentes ou sombreados, que juntos criam sentidos sobre o mundo e sobre modos de ver a deficiência (Souza; Pessoa; Sanz, 2025). Foi desse mesmo modo que o gesto da montagem também atravessou todas as atividades, convidando os alunos a experimentar aproximações e distanciamentos, recombinações dos elementos que permitissem identificar singularidades e mapear múltiplas relações e reverberações entre as imagens e os fenômenos analisados.
