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Abstrato Geométrico Minimalista

Pódio para Todos  

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Sinopse
Pódio para Todos conta a história extraordinária dos Jogos Paralímpicos. Dos destroços da Segunda Guerra Mundial ao terceiro maior evento esportivo do planeta, os Jogos Paralímpicos deram início a um movimento que continua mudando a forma como o mundo pensa sobre pessoas com deficiência, diversidade e potencial humano.

Ficha técnica
Documentário

Reino Unido, 2020

105 minutos

Direção e roteiro: Ian Bonhote e Peter Ettedgui

Produção: Greg Nugent, John Battsek e Tatyana McFadden

Elenco principal: Bebe Vio, Ellie Cole, Jean-Baptiste Alaize, Matt Stutzman, Jonnie Peacock, Zhe Cui, Ryley Batt, Ntando Mahlangu e Tatyana McFadden

Onde assistir: Netflix

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MAVIGNIER, Tancy Costa; TARAPANOFF, Fabíola. Cinema e deficiência. In: Anais XVIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste. Bauru, São Paulo. 2013

BONHOTE, Ian e ETTEDGUI, Peter. Pódio para todos. Reino Unido, 2020

A Paraolimpíada e os estereótipos: a capacidade do cinema de quebrar e/ou reforçar estigmas

As autoras Marvignier e Tarapanoff (2013), em um texto produzido sobre cinema e deficiência, fazem um ótimo compilado de filmes — apesar da rasa análise — que retratam pessoas com deficiência ao longo da história. Partindo de apenas dois filmes, Os Intocáveis (2011) e Ferrugem e Ossos (2012), elas afirmam que essas obras deixam os estereótipos para trás e adotam uma visão mais humanista em relação à pessoa com deficiência, de maneira a quebrar com os estereótipos frequentemente relacionados a esse grupo.

Dessa forma, concluem que houve uma mudança em relação a como essas pessoas são retratadas no cinema hoje, isto é, há uma fuga dos estereótipos (ibidem, p.13). Tendo isso em vista, o filme analisado em questão, Pódio para todos (2020), conta a história das Paraolimpíadas, dos maiores atletas paralímpicos da atualidade e da importância dos últimos eventos para suas vidas. Considerando que o modelo esportivo é construído sob uma lógica de competição, desempenho e resiliência, muitas vezes o filme, mesmo sendo recente, inevitavelmente cai no estereótipo da pessoa com deficiência como super-heroína e um exemplo de superação.

Estes estereótipos são historicamente construídos, circulam na sociedade há anos e, consequentemente, são vistos, não apenas no cinema, mas em todos os outros meios de comunicação, como citado pelas autoras. Elas, inclusive, irão descrever, em um momento, a chegada dos Jogos Paraolímpicos como um evento que exprime “a representação da superação, em que a pessoa com deficiência é representada como vencedor, mito…” (ibidem. p.3). Entretanto, há momentos no filme que estabelecem perspectivas interessantes em relação à deficiência e às pessoas com deficiência no geral.

Indo contra uma visão individualista muitas vezes ligada ao esporte, o filme traz falas de atletas paraolímpicos que se veem representando não apenas a si ou ao seu país, mas a uma comunidade muito maior: “Estou representando um bilhão de pessoas. É incrível. É muito bom representar o lugar de onde eu venho, porque eu nunca vou esquecer minhas raízes. Eu represento o meu povo, minha tribo e represento outras tribos. Eu corro pelos motoristas de táxi que me levam pela cidade, pelas pessoas que levam pão para a gente nas áreas rurais” (MAHLANGU, 2020). Além disso, reforça como a união dos atletas paralímpicos, da organização e de todo o movimento é fundamental para um evento do porte das paraolimpíadas ocorrer.

O filme consegue explicitar o capacitismo existente na sociedade em momentos como a corrupção nas Olimpíadas de 2016 e em situações sofridas pelos próprios atletas durante suas vidas. Dessa forma, esclarece que é a própria sociedade que entende esses indivíduos como incapazes por terem uma deficiência em razão de um padrão normativo imposto às pessoas e que suas singularidades não deveriam ser entendidas como uma fraqueza: “As pessoas sentem pena de mim. Por quê? Por causa de uma percepção: Ele não tem uma perna, eu deveria sentir pena" (PEACOCK, 2020).

Apesar de não acreditar que, atualmente, o cinema tenha se desprendido totalmente dos estereótipos historicamente associados às pessoas com deficiência, como afirmam as autoras e como mostra o filme analisado, é visível como certas obras mais recentes conseguem melhor representar pessoas com deficiência que antigamente. Embora ainda haja um longo caminho, filmes como Pódio para todos, ainda que reforcem o estereótipo de super-herói em muitos momentos, como nas cenas nos quais os atletas são retratados em estátuas gregas e até em algumas falas, escancaram a importância da representatividade para a comunidade das pessoas com deficiência.

A partir de cenas que mostram a importância do esporte para a autoestima de muitos atletas e para a aceitação de suas singularidades, o filme consegue trazer uma perspectiva de orgulho em relação à deficiência. As paraolimpíadas são uma oportunidade de movimentar a sociedade para olhar as pessoas com deficiência com outros olhos, sem o estigma do coitado ou do incapaz. É uma grande chance para enxergarem que existe uma pessoa antes de existir uma deficiência e entenderem que muitas vezes faltam oportunidades, mas que elas são seres humanos capazes e não são melhores que ninguém por isso.

Comentário de Sophia Teixeira de Oliveira, aluna de Pedagogia da Faculdade de Educação da UnB e pesquisadora do (In)Vis.

Disciplina Cinema e Pessoa com Deficiência, FE/UnB, 2023.

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