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Abstrato Geométrico Minimalista

A Luta de Barbara e Alan

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Sinopse
A história de amor não contada de dois artistas de cabaré e activistas dos direitos dos deficientes que se conheceram num espetáculo, se apaixonaram e se tornaram a força motriz de uma campanha de ação direta sem precedentes no Reino Unido. Baseado numa história verídica.

Ficha técnica
Ficção, baseado em fatos reais
Reino Unido, 2022

67 minutos

Direção: Bruce Goodison e Amit Sharma

Roteiro: Jack thorne e Genevieve Barr

Fotografia: Susanne Salavati

Montagem:William Chetwynd e Christopher Watson

Elenco principal: Ruth Madeley, Arthur Hughes e Mat Fraser

Onde assistir: Netflix

DINIZ, Debora. O que é deficiência? São Paulo: Brasiliense, 2006

GOODISON, Bruce e SHARMA, Amit. A Luta de Bárbara e Alan. Reino Unido, 2022

O que é deficiência?

Por muito tempo, as pessoas com deficiência foram tratadas com desrespeito quanto à garantia dos seus direitos e privadas de viver em sociedade por suas famílias ao serem confinadas em instituições que vendiam a ideia de curá-las ou de normalizá-las. Partindo de um modelo biomédico e tradicional, a pessoa com deficiência era vista, antes de tudo, a partir de sua lesão corporal e por isso entendiam que precisavam somente de cuidados médicos e não de que se tratava de uma questão social do resultado da discriminação sofridas por elas.
 

Em seu texto ‘O que é deficiência?’, a autora Debora Diniz (2007) diz que "a deficiência é um modo de vida, um estilo de vida. A deficiência não é mais uma simples expressão da lesão que impõe restrições à participação social de uma pessoa. É um conceito complexo que reconhece o corpo com lesão, mas que também denuncia a estrutura social que oprime a pessoa deficiente". Dessa forma, a pessoa com deficiência não se limita ao corpo lesionado ou a incapacidade, pois essa visão estigmatizada retira a responsabilidade do sistema opressor em não reconhecer a diversidade de corpos e excluir o que não está dentro do padrão imposto.
 

O filme ‘A Luta de Barbara e Alan’ (2022), torna clara essas opressões e discriminações vividas pelas pessoas com deficiência e as barreiras institucionalizadas pelo Estado omisso que não enxerga essas pessoas como cidadãs que necessitam de políticas voltadas para o seu bem-estar social. A protagonista, Barbara, é uma pessoa com deficiência, faz uso da cadeira de rodas e enfrenta muitos impedimentos ao se locomover para fazer coisas comuns do dia-a-dia, seja por não conseguir pegar um ônibus por falta de acessibilidade ou ir até à pizzaria com o seu companheiro, Alan, que também possui uma deficiência, ao ter que comer do lado de fora do estabelecimento porque a porta de entrada não permite a passagem de sua cadeira de rodas.
 

Barbara e Alan estão cansados das opressões vividas pela falta de acessibilidade para pessoas com deficiência nos ambientes públicos e da apelação dos programas de TV ao fazerem uso de imagens que reforçam os estereótipos da vítima para arrecadar dinheiro para a "caridade". Decidem, então, unir forças para formar uma rede de ação direta de pessoas com diversas deficiências, reivindicando leis que de fato cumpram o seu papel de justiça social em reconhecer as demandas dos deficientes.
 

Barbara uma frase marcante do apartheid que expressa o sentimento de invisibilidade e opressão experimentados pelos deficientes historicamente: "nada sobre nós, sem nós". Ou seja, é preciso entender que o corpo com deficiência precisa de cuidados médicos, assim como um corpo não-deficiente, mas isso não significa que esse fator seja determinante em suas vidas de maneira que os impeçam de participarem ativamente no que lhes diz respeito politicamente. Seguindo essa linha, “a deficiência não deveria ser entendida como um problema individual ou tragédia pessoal, mas sim uma questão eminentemente social”, diz Débora Diniz. Por essa razão, deixar os problemas coletivos nas mãos de pessoas despreparadas ou desinteressadas em resolver a questão sem lutar por melhores condições é tapar o sol com a peneira. Como diz a frase conhecida popularmente “um povo unido jamais será vencido” e graças às resistências de Barbara, Alan e a mobilização em convocar toda a comunidade de pessoas engajadas na mudança de paradigmas opressoras e excludentes, de fato conseguiram com que o poder legislativo intervisse para formular políticas públicas contra a discriminação social sofridas pelos deficientes.
 

Sabemos, portanto, que a deficiência não define a pessoa por ter um corpo lesionado ou os diagnósticos médicos e estereótipos propagados socialmente, mas uma característica, uma identidade e estilo de vida de corpos diversos que, por uma razão estrutural opressora, não são reconhecidos em sua plenitude pertencentes a indivíduos que possuem direitos. A luta é difícil e a mudança é feita a passos lentos. Por isso, mesmo com todos os avanços históricos na criação e implementação de políticas públicas para as pessoas com deficiência, ainda há muito o que percorrer para que, de fato, o mundo se torne mais acessível e justo para essas pessoas viverem em igualdade de condições com as pessoas sem deficiência. Como diz Barbara em uma de suas falas no filme: “se o mundo fosse mais bem planejado não precisaríamos de ajuda. Poderíamos nos sustentar”.

 

Comentário de Ana Lúcia de P. Lima, aluna de Pedagogia da Faculdade de Educação da UnB.

Disciplina Cinema e Pessoa com Deficiência, FE/UnB, 2023.

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