
cinema e educação
O Som do Silêncio

Sinopse
A vida de um jovem baterista muda totalmente quando ele percebe que está perdendo a audição. As suas duas grandes paixões estão em jogo: a música e a sua namorada, integrante da mesma banda de heavy metal que ele faz parte.
Ficha técnica
Ficção
Estados Unidos, 2020
120 minutos
Direção: Darius Marder
Roteiro: Darius Marder e Abraham Marder
Fotografia: Daniël Bouquet
Montagem e edição de som: Mikkel Nielsen
Elenco principal: Riz Ahmed, Olivia Cooke e Paul Raci
Onde assistir: Prime Video
DINIZ, Debora. O que é deficiência? São Paulo: Brasiliense, 2006. (7-40; 76-79)
Comentário sobre o filme O Som do Silêncio
A história de “O Som do Silêncio” é centrada na jornada de um baterista que precisa se adaptar à perda de sua audição. O emprego cuidadoso de sons e silêncios, particularmente nas cenas envolventes que adotam a perspectiva de Ruben, o personagem principal, estabelece uma ligação intensa entre a audiência e a experiência sensorial do personagem principal.
Débora Diniz (2006), no livro “O que é deficiência”, expande o entendimento da deficiência como uma construção social, abordando questões mais amplas de inclusão. Ao relacionarmos o texto com o filme, percebemos que a obra oferece uma narrativa sobre aceitação e adaptação a uma nova realidade e, em vez de mostrar a deficiência como algo a ser “consertado” ou corrigido, nos apresenta uma maneira única de vivenciar o mundo. “Não é um ato de ingenuidade assumir a cegueira ou a surdez como um modo de vida” (p. 76).
A imersão que o filme promove ao telespectador mostra momentos significativos de silêncio, em que a ausência de som se torna uma parte vital da experiência. A audição de Ruben diminui e o silêncio se torna uma barreira que o separa dos outros, enfatizando a solidão e a desconexão que acompanham a surdez. O silêncio também é utilizado como uma metáfora para a aceitação da mudança. Conforme Ruben progride em sua jornada, o silêncio deixa de ser um vazio assustador e se transforma em uma nova forma de compreensão do mundo ao seu redor.
Por fim, independentemente de suas capacidades físicas ou cognitivas, Ruben adquire uma maneira única de interagir com o mundo ao seu redor. Ao invés de focar na limitação, reconhece que não existe uma única maneira “correta” de viver ou experimentar a vida.
Comentário de Gabrielly de Assunção Torres, aluna de Pedagogia da Faculdade de Educação da UnB.
Disciplina Cinema e Pessoa com Deficiência, FE/UnB, 2023.